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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Vereador deve ser afastado


O vereador Roberto Bastos (PMN) não deve escapar de punição na Câmara Municipal. A situação dele se complicou na segunda-feira(04), dia em que foram tomados os primeiros depoimentos sobre os casos de manutenção de funcionários fantasmas e de retenção de parte dos vencimentos dos servidores que, efetivamente, trabalhavam, o chamado rachid. Uma das duas testemunhas ouvidas confirmou as acusações, a outra foi reticente, mas não negou.
Com isso, crescem as chances de que a Comissão de Ética e Decoto Parlamentar, recomende, no mínimo, o seu afastamento temporário, por 30 ou mais dias, ao final das investigações, que são levadas sob sigilo. O vereador também já foi ouvido. Entretanto, entre os vereadores, há os que defendam a cassação do mandato, como já ocorreu em 2010, com a vereadora Arlete Brito (PT), flagrada em vídeo quando tentava se apoderar do tíquete alimentação de uma servidora. A repercussão que uma pena diferente acarretaria na opinião pública preocupa.
Outros defendem que os casos são diferentes, pois desta vez há apenas testemunhas, mas não gravações. Porém, o Ministério Público tem uma agenda em que o parlamentar assinava o recebimento do dinheiro retido de uma funcionária, talvez a prova mais contundente da corrupção.
Caso também acreditem que o caso é sério o suficiente para provocar a cassação do mandato de Roberto Bastos, os integrantes da comissão deverão pedir a abertura de uma comissão processante, com poderes para tanto. A comissão, formada por José Carlos Amaral (DEM), David Lóss (PDT) e Braz Zagotto (PTB) tem, no máximo, poder para suspender temporariamente o mandato.
As denúncias contra Roberto Bastos partiram do Ministério Público, que já conseguiu, na Justiça, a determinação do bloqueio de parte dos salários do parlamentar e de uma servidora que, apesar de não trabalhar na Câmara, mas sim em seu consultório médico, recebia do Poder Legislativo. O prejuízo estimado com o esquema é de R$ 80 mil para os cofres públicos.
Bastos também é acusado de utilizar na campanha em que foi reeleito, em 2008, em tempo integral, servidores pagos pela Câmara, caso também investigado pela Comissão de Ética. Antes, ele escapou, impune, da denúncia de atestar a presença na Câmara, durante um mês, de uma funcionária que, na realidade, estava no Canadá no período. Só ela foi punida pelo Legislativo, com a decisão de que devolva o dinheiro indevidamente recebido.
Foi a mesma funcionária que, na segunda-feira, fez as denúncias mais contundentes contra Roberto Bastos. Além de assessorá-lo na Câmara, ela também trabalhava em sua clínica médica, de onde foi despedida após dez anos de serviços prestados. As oitivas continuam na semana que vem.

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