ITAPEMIRIM

terça-feira, 10 de julho de 2012

Candidatos na disputa, dos 17 aos 90 anos

Estudante do ensino médio, Rafaela de Oliveira é candidata em Baixo
Guandu 
“Nunca votei, mas deve ser bom. É diferente ser candidata. Os
meus colegas aproveitam para brincar, pedir coisas, mas já expliquei
a eles que não é assim” 
Rafaela de Oliveira (PSD)
Estudante e candidata a vereadora

Na disputa por uma vaga de vereador no Estado, dois concorrentes despertam a atenção pela idade e pelas histórias de vida. Mais jovem na corrida eleitoral, a estudante do ensino médio Rafaela Souza de Oliveira (PSD), 17, dará seu primeiro voto ao mesmo tempo em que tentará se eleger vereadora em Baixo Guandu. 

Na outra ponta, o aposentado Alcino João do Nascimento (PT) decidiu tentar vaga na Câmara de Mantenópolis, aos 90 anos, carregando em sua trajetória o envolvimento no atentado na rua Tonelero, no governo de Getúlio Vargas, em 1954.

Os dois estão nos extremos da faixa etária dos candidatos que concorrerão nas eleições, sendo que a maioria (44,5% dos mais de 8 mil candidatos) tem entre 45 e 59 anos de idade.

No caso de Rafaela, o gosto pela política veio da família paterna – um tio dela já foi prefeito em Aimorés, Minas Gerais. Ela afirma que sempre opina quando o assunto entra em discussão em sala de aula e aceitou disputar porque acha que a política tem relação próxima com o Direito, curso para o qual prestará vestibular este ano.

Para ter certeza de que ela poderia concorrer, já que só completará 18 anos 11 dias após as eleições, o presidente do PSD de Baixo Guandu, Geraldo Rodrigues, consultou a Justiça Eleitoral. O limite é para a data da posse, em 1º de janeiro de 2013. 

A jovem candidata disse que é alvo de brincadeiras dos colegas, que fazem pedidos de casas, entre outras coisas. "Já expliquei para eles que não é assim. Ainda estou pensando sobre os projetos, mas quero lutar por mais empregos para os jovens", frisa.

Já Alcino diz com firmeza que quis ser candidato "para fazer alguma coisa pelo povo de Mantenópolis". Após breve pesquisa foi possível saber que não se tratava apenas do candidato mais velho a vereador no Espírito Santo, mas também de uma figura marcada na história do Brasil.

O petista ficou preso por 21 anos e cumpriu mais nove anos na condicional acusado de participar do atentado contra o jornalista e deputado Carlos Lacerda, maior opositor de Getúlio Vargas, em 5 de agosto de 1954. No episódio, Lacerda foi ferido no pé, o major da Aeronáutica Rubem Florentino Vaz foi morto e o guarda municipal Sávio Romero levou um tiro na perna.
“Fiquei 21 anos na prisão e 9 anos na
condicional. Não tenho mais nada a dever. 

Já cumpri a pena. Fui acusado de ser
 bandido, mas minha vida foi trabalho”


Alcino João do Nascimento
Atentado a Carlos Lacerda na ficha

Com pena já cumprida pelo envolvimento no atentado na rua Tonelero, em Copacabana, no Rio de Janeiro, o aposentado Alcino João do Nascimento (PT), candidato a vereador em Mantenópolis, dá sua versão do episódio com Carlos Lacerda, que teria sido um dos motivos do suicídio do então presidente da República, Getúlio Vargas, em agosto de 1954.

Alcino nega ter recebido ordem de Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Vargas, para matar Lacerda, como o jornalista relatou na época. O candidato petista diz que foi "escalado por Gregório para fazer uma sindicância no candidato Carlos Lacerda", que na noite de 5 de agosto de 1954 estava acompanhado do major Rubem Vaz. 

"Quando eu atravessei a rua, fui agredido pelo major. Nessa altura, o Lacerda atirou em mim e pegou no major. Quando o major pegou no meu braço, ele quis me segurar e aí eu atirei nele. Lacerda acusava muito Getúlio, inventava coisas. Eu fui fazer sindicância para apurar as informações e fazer um processo contra ele", relata Alcino.

Ele afirma que era mestre de obras e começou na gestão de Juscelino Kubistchek na Prefeitura de Belo Horizonte, mas também trabalhava como "detetive" para a equipe de Fortunato. "Nunca houve isso de matar Lacerda. Fui condenado pela morte do major e por atirar no guarda (Sávio Romero). Esse guarda estava atirando em mim e eu atirei na perna dele. Lacerda atirou no próprio pé para me acusar e fui condenado".

Alcino diz que não tem mais nada a dever. "Já cumpri a pena. Minha ficha está limpa", atesta.

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