ITAPEMIRIM

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Instrutor de capoeira em Itapemirim dá exemplo de cidadania


Após mais de três anos dando cursos de capoeira para crianças e adultos, gratuitamente em Itaipava, Itapemirim, instrutor de apenas 22 anos planeja envolver-se noutro projeto: ministrar aulas, também, para a terceira idade!
Ele é jovem, cowboy, evangélico, lutador de jiu-jitsu e um apaixonado pela capoeira, expressão cultural brasileira que mistura arte-marcial, esporte, cultura popular e música. Desenvolvendo há três anos e meio o Projeto Voluntário Candieiro, João Coutinho de Souza Júnior, 22 anos, é graduado em capoeira e dá aulas para 45 crianças e 17 adultos na Escola Magdalena Pisa, Itaipava, Itapemirim, às terças-feiras e quintas-feiras, totalmente de graça.
Além de não existirem mensalidades, os uniformes também não são cobrados. O instrutor arca com todas as despesas, inclusive o combustível para seu transporte. Para o batizado, que é anual, o mestre arrecada dinheiro através de rifas. “O que me motiva são meus alunos. É maravilhoso vê-los treinando comigo com dedicação total. Isso é apenas um detalhe. Quando Deus nos abre portas, precisamos ajudar o próximo”, declara!
A diretora da EMEIEF “Magdalena Pisa”, Ivana Maria Monteiro, atribui ao professor todo o mérito do sucesso alcançado no projeto: “O trabalho que o João desenvolve aqui é maravilhoso! Ele não cobra pelo que faz. É um sonho dele que se realiza. A escola contribui, às vezes, com um lanche, mas todo empenho é do professor. Nós apenas cedemos o espaço. Hoje, não só os alunos participam do projeto, mas toda a comunidade! É um trabalho lindo, digno de louvor”, comenta.
O aluno P. S., cujo nome se mantém reservado em virtude de se tratar de menor, é enfático ao afirmar que a capoeira transformou seu modo de ver e de viver a vida: “Hoje me sinto mais responsável. Antes eu só vivia na rua, só queria saber de brincar. Não tinha muita responsabilidade. Hoje agradeço ao João, um excelente profissional na área”, comenta.
A capoeira é, além de tudo, um estilo de vida, segundo João. “É uma paixão pelo som, pela dança, pela luta. O axé da roda de capoeira é atraente. Aqui se aprende a tocar instrumento, como berimbau, o atabaque, o pandeiro. É algo sedutor!”
Nascido no berço escravo, o movimento hoje conta com várias vertentes, estilos, influências e variações como capoeira de angola, a regional, a benguela e o maculelê, entre outras.
Capoeira em Itaipava
A sugestão para dar aulas em Itapemirim nasceu a partir da necessidade de introduzir no município essa arte: “há academias no balneário, mas são particulares. Nem todos têm condições financeiras de pagar. Conversei com a direção da escola, que prontamente abraçou a causa, cedendo o espaço e aqui estamos, há três anos e meio”.
As aulas ministradas por João contam com participação feminina, sendo meninas, veterinárias, professoras, porém, o que desperta a atenção é a presença de Fábio (nome fictício), portador da Síndrome de Down, aluno dedicado e altamente disciplinado, de acordo com o professor.
“O número de alunas é menor, até mesmo pelo simples fato de haver maior quantitativo masculino. As garotas têm medo de treinar, ou ainda existem fatores como os pais não liberarem, além de serem mais tímidas”.
Aluno especial
No caso específico de Fábio*, o treinamento a ele atribuído é o mesmo, segundo o mestre. “Ele não tem privilégio! Tem muita facilidade no aprendizado. É esperto, comunicativo, conversa com todos. É super tranquilo! Acho muito bacana a disciplina dele. É o único e não falta a nenhum treino. Ele chegou aqui muito travado em questão de movimentação. Hoje, surpreende a todos. Faz alguns saltos, tem flexibilidade muito boa e a coordenação motora dele melhorou muito.”
João iniciou na capoeira aos 11 anos na cidade de Piúma e hoje afirma que o esporte não difere de nenhuma outra arte marcial, portanto, a disciplina é muito exigida dos alunos. “Tudo hoje só funciona com organização, em especial a capoeira, patrimônio cultural brasileiro. ‘Capoeira é uma arte que mexe com o corpo e com a cabeça, faz com que o pobre vire nobre e com que o mundo cresça’. Dentro da roda não há negro, branco, não tem pobre, não tem rico”.
Terceira idade
João já projeta, para breve, a inserção da terceira idade no jogo. O rapaz considera imprescindível a participação de pessoas com idade mais avançada, uma vez que a capoeira melhora consideravelmente o batimento cardíaco, a respiração e o condicionamento físico.
Outro ponto defendido por João é a questão do preconceito quanto à religiosidade do capoerista. Há quem afirme que, por causa do uso de roupa branca, seja tendencioso a praticar macumba. “Realmente as músicas abordam a temática negra, no entanto, nada tem a ver com religiões afro. A capoeira cresceu muito, na Europa, por exemplo, onde a maioria é branca”.
O professor disse ainda que em qualquer etapa de vida se pode iniciar a capoeira: “Para jogar capoeira não precisa ter uma idade específica. Tanto faz uma criança de quatro anos ou uma pessoa de 40. O que é preciso é ter vontade de brincar, de se inserir. Capoeira se aprende brincando”.


Quem postou: Maratimba News

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