ITAPEMIRIM

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mulher que vivia acorrentada pelo marido, consegue fugir e procura delegacia


O homem vai responder o inquérito por maus-tratos, mas não ficou preso pois não houve flagrante.

Reprodução/TV Gazeta Sul
Na mesa da delegacia, documentos e a corrente usada para acorrentar a mulher
Um minuto de liberdade foi o suficiente para uma mulher denunciar os maus-tratos que sofria do próprio marido. A vítima, que tem problemas psiquiátricos, é moradora do bairro Caiçara, em Cachoeiro de Itapemirim, e procurou a delegacia da Mulher na noite de terça-feira (04).

Devido a doença, em 2010 a Justiça determinou a interdição e deu a tutela da mulher para o marido. Mas, ao invés de cuidar e zelar pela saúde, ele acorrentava e batia no rosto da esposa com a corrente.

"Ele me deixava amarrada. Eu já coloquei fogo na casa, mas foi porque ele me traiu. Tinha vez que eu ficava sem almoço e sem jantar. Ele me batia de tudo quanto é jeito", contou.


Foto: Reprodução/TV Gazeta Sul
Reprodução/TV Gazeta Sul
"Se eu não fizer isso, ela mata todo mundo", disse o marido da vítima
Num momento de distração, a mulher conseguiu fugir e foi até a delegacia. A denúncia chamou atenção da delegada Ancila Zanol, que após apresentar o Boletim de Ocorrência e o Exame Corporal, foi até a residência do casal e realizou uma perícia. 

"Ficou constatado os maus-tratos, e agora ele vai responder por lesão corporal e tortura", disse a delegada. Mesmo com o inquérito, o homem não ficou preso, pois não houve flagrante.

Em depoimento, Antônio Rogério Miguel Teixeira, esposo da vítima, disse que faz tudo isso, pois tem medo da mulher matar todos os familiares.

"Se eu não fizer isso, ela mata todo mundo. Ela é uma pessoa boa, mas quando fica destrambelhada, ela pode fazer qualquer coisa", ressaltou o marido.


Foto: Reprodução/TV Gazeta Sul
Reprodução/TV Gazeta Sul
A delegada Ancila Zanol, disse que faltam órgãos que prestem atendimento às pessoas que são vítimas de violência
A delegada Ancila Zanol, aproveitou o caso para denunciar a falta de órgãos municipais que prestem atendimento às pessoas que são vítimas de violência em Cachoeiro.

"É uma vergonha a cidade de Cachoeiro de Itapemirim, que falam tanto que é a cidade do bem, não poder atender a população. Pra mim é uma cidade do faz de conta. Como é que nós vamos tratar, se a delegacia da mulher tem apenas cinco funcionários?", destacou.

Ela disse ainda que assim como o Conselho Tutelar funciona 24 horas, também deveria existir o S.O.S Mulher e o Conselho do Idoso.


Pollyanna Patrício

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