Um auxiliar de pintor foi assassinado com diversos tiros na noite de quarta-feira (02), no bairro Jardim Carapina, no município da Serra. Valdeir Adriano dos Santos tinha 18 anos e foi atingido por 18 disparos.
De acordo com a polícia, dois criminosos chegaram de moto na Avenida Porto Seguro e atiraram no rapaz. Foram tantos tiros que as marcas ficaram espalhadas por todos os lados. Moradores da região disseram que só ouviram o barulho. “Foram mais ou menos 30 tiros. Eu estava assistindo televisão. Só escutei os tiros e, quando cheguei aqui, ele já estava morto. Nós ficamos tristes porque todo mundo quer viver”, disse o comerciante Daniel Rosário.
Valdeir seguia a rotina de todo dia quando tudo aconteceu. Ele chegou do trabalho, tomou banho, fechou a porta do quarto, entregou a chave para a mãe e se despediu dela dizendo que sairia para lanchar. Três horas depois, a família recebeu a notícia da tragédia.
“Ele disse que já estava voltando. Foi lá na pracinha. Os amigos dele falaram para fazerem um lanche por aqui mesmo, mas ele quis ir lá embaixo primeiro. Foi ele e outro amigo dele e, na volta, aconteceu isso. Eu soube quando chegaram uns colegas dele gritando aqui no portão. Levantei e fui para lá, mas não consegui chegar perto do corpo. Foi muito forte. Eu ainda avisava para ele sair de esquina de rua. Não mexia com nada errado e ficava em esquina de rua fora de hora. Ele era bom, uma ótima pessoa. Não é porque era meu filho, mas ele era um ótimo. Não bebia, não fumava. Só em época de festa ele tomava um vinho. Não tinha envolvimento com nada errado. Os amigos dele são todos trabalhadores iguais a ele”, contou o pai da vítima, Valdemir Adriano.
A mãe do rapaz contou que o sonho de Valdeir era tirar a CNH para trabalhar como motorista. Pai e mãe estão inconsolados com a perda. “Estou muito triste porque quando seu filho mexe com droga ou está envolvido com alguma briga, você está esperando aquilo. Mas com uma pessoa que trabalha, que não é de briga, não é de confusão, é muito triste. Meu filho era muito carinhoso, muito atencioso. Todo mundo gostava dele, era uma pessoa trabalhadora. Sonhava e tinha os planos de subir na vida sempre junto com a família. Ele falava que ia tirar a carteira porque queria trabalhar dirigindo e ter uma vida melhor. Espero a justiça de Deus e da terra porque só Ele que pode dar jeito”, desabafou Maria de Nazareth dos Santos.
Na manhã desta quinta-feira (03), um morador tentava retirar com uma enxada as marcas de sangue de uma juventude interrompida pela violência. “É triste né? É uma vida”, lamentou o pedreiro Sérgio Gomes.
Para quem vive em Jardim Carapina, a morte do rapaz é um reflexo da insegurança no bairro. "Ficamos revoltados porque não tem segurança. Você ter que ficar dentro de casa é difícil. A pessoa batalha para comprar seu cantinho e fica dentro de casa como se fosse um refém. É complicado”, comentou a operadora de caixa Patrícia Ribeiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário